Registrar uma marca: Guia fácil para proteger sua ideia em 2026
Se você chegou aqui buscando “como patentear uma marca”, tenho uma notícia importante: marca não se patenteia. Marca se registra.
Calma, não estou criticando. Essa confusão é tão comum que milhares de pessoas pesquisam exatamente isso todos os meses. E a maioria descobre a diferença só depois de perder tempo e dinheiro fazendo o processo errado.
Este guia foi feito para esclarecer de uma vez por todas: o que é marca, o que é patente, quando usar cada um e como proteger seu negócio da forma correta. Vamos traduzir o juridiquês para linguagem de empreendedor.
Entendendo as Diferenças: Por Que Tanta Confusão?
Antes de entrar nos detalhes técnicos, vamos entender por que tanta gente confunde esses conceitos. Não é falta de inteligência — é falta de informação clara.
No vocabulário popular, “patentear” virou sinônimo de “proteger legalmente”. Quando alguém diz “vou patentear minha ideia”, geralmente quer dizer “vou garantir que ninguém copie”. Faz sentido no contexto coloquial. O problema é que, juridicamente, patente e registro de marca são coisas completamente diferentes.
Por que essa confusão é tão comum?
Porque ninguém ensina isso na escola. Empreendedores aprendem a fazer produto, vender, gerir equipe, cuidar de finanças. Mas propriedade intelectual? Fica para depois — quando já é tarde demais.
A advogada Paola Stocco, especialista em Propriedade Intelectual com mais de 5 anos de atuação exclusiva, ouve essa confusão diariamente: “Os clientes falam assim: ‘Eu quero patentear uma marca’. Eles acham que patente, marca é tudo a mesma coisa.”
E não é só no Brasil. Segundo estudos internacionais sobre educação empreendedora, menos de 15% dos donos de pequenos negócios entendem corretamente a diferença entre os tipos de propriedade intelectual antes de enfrentar um problema concreto.
➞ Resultado prático: Empresários entram no site do INPI procurando “patente” quando deveriam procurar “marca”. Iniciam o processo errado. Pagam taxas que não precisavam. Perdem meses esperando uma resposta que não resolve o problema original.
Validando a dúvida: você não está sozinho
Se você pesquisou “como patentear uma marca”, está em boa companhia. Essa expressão tem cerca de 3.000 buscas mensais no Brasil. São milhares de empreendedores com a mesma dúvida, todos os meses, tentando entender como proteger seus negócios.
O que esses números mostram: A confusão não é exceção — é regra. O sistema de propriedade intelectual brasileiro usa terminologia técnica que não faz parte do vocabulário comum.
O importante não é nunca ter confundido. O importante é aprender a diferença antes de cometer um erro que custe caro.
Mas se eu já comecei um processo de patente achando que era para marca?
Respira. Dependendo do estágio, pode ser possível corrigir sem perder tudo. Mas você vai precisar de orientação especializada para avaliar o caso e definir os próximos passos. O que não dá é para continuar no processo errado esperando que dê certo.
A Lei 9.279/96 — conhecida como Lei de Propriedade Industrial — trata tanto de marcas quanto de patentes, mas em capítulos completamente separados, com requisitos, prazos e custos diferentes. Misturar os dois é como tentar renovar CNH no cartório de imóveis: não vai funcionar.
O Que é Uma Marca?
Marca é o sinal que identifica seu negócio no mercado. É o que diferencia seus produtos ou serviços dos concorrentes. É o que faz o cliente olhar para uma prateleira cheia de opções e escolher o seu.
O que pode ser registrado como marca?
A Lei 9.279/96, no artigo 122, define: são registráveis como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis. Na prática, isso inclui:
➞ Nome da empresa — “Natura”, “Magazine Luiza”, “Cacau Show”
➞ Nome de produto — “iPhone”, “Omo”, “Nescafé”
➞ Logo — O símbolo visual que representa sua marca
➞ Slogan — Frases marcantes como “Amo muito tudo isso”
➞ Combinações — Nome + logo juntos
O que todas essas coisas têm em comum? São elementos de identidade. Servem para o consumidor reconhecer quem está por trás daquele produto ou serviço.
Exemplo prático: Pense na Coca-Cola. A marca “Coca-Cola” está registrada. O logo com a tipografia característica está registrado. A garrafa com formato único está registrada (como marca tridimensional). Tudo isso é identidade — elementos que fazem você reconhecer o produto instantaneamente.
Segundo dados do INPI divulgados em 2025, em 2024 houve crescimento de 10,3% em pedidos de marca em relação a 2023, chegando a 444.037 solicitações. É o tipo de proteção mais buscado por empresários porque é o mais relevante para a maioria dos negócios.
O que a marca NÃO protege
➞ Não protege a fórmula do seu produto
➞ Não protege o método de fabricação
➞ Não protege a tecnologia que você desenvolveu
➞ Não protege a ideia por trás do negócio
Marca protege identidade. Se você quer proteger invenção, aí sim estamos falando de patente.
O Que é Uma Patente?
Patente é a proteção para invenções. Coisas novas que você criou e que não existiam antes — ou que existiam, mas você melhorou de forma inventiva.
O que pode ser patenteado?
A Lei 9.279/96, nos artigos 8 e 9, estabelece dois tipos de patente:
1. Patente de Invenção (PI) — Protege criações totalmente novas que apresentam solução técnica para um problema. Precisa ter novidade, atividade inventiva e aplicação industrial.
➞ Exemplos: Um novo mecanismo de motor, uma molécula farmacêutica inédita, um processo químico inovador, um dispositivo eletrônico com funcionamento único.
2. Modelo de Utilidade (MU) — Protege melhorias funcionais em objetos já existentes. É a “patente do pequeno inventor” — quando você pega algo que já existe e cria uma versão melhor.
➞ Exemplos: Uma ferramenta com cabo ergonômico mais eficiente, uma embalagem com sistema de abertura aprimorado, um utensílio doméstico com função adicional.
Diferença de prazo: Patente de Invenção vale por 20 anos. Modelo de Utilidade vale por 15 anos. Depois disso, a invenção cai em domínio público e qualquer pessoa pode usar.
O que a patente NÃO protege
➞ Não protege nome de empresa
➞ Não protege logo ou identidade visual
➞ Não protege ideias abstratas (só a aplicação concreta)
➞ Não protege métodos comerciais ou de negócio
➞ Não protege descobertas científicas (só invenções)
O professor Gama Cerqueira, referência clássica em propriedade industrial brasileira, já ensinava: patente protege a solução técnica, não o problema. Você não patenteia “a ideia de fazer um carro voar” — patenteia o mecanismo específico que permite o carro voar.
Marca vs Patente: A Diferença Definitiva
Marca = Identidade Patente = Invenção
Então se eu tenho uma empresa, preciso de marca ou patente?
Na maioria dos casos: marca.
Se você abriu um restaurante, uma loja, uma agência, uma consultoria, um e-commerce — você precisa registrar a marca. O nome do seu negócio, seu logo, sua identidade visual.
Patente só entra em cena se você inventou algo. Um produto físico novo, um processo industrial inovador, uma tecnologia que não existia. A maioria dos negócios não tem isso.
Teste rápido para saber o que você precisa:
Pergunte a si mesmo:
· “Quero proteger o NOME da minha empresa ou produto?” → Marca
· “Quero proteger o LOGO ou identidade visual?” → Marca
· “Quero proteger uma INVENÇÃO que eu criei?” → Patente
· “Quero proteger uma MELHORIA em produto existente?” → Modelo de Utilidade
Se suas respostas foram 1 ou 2, você precisa de registro de marca. Ponto.
O artigo 129 da Lei 9.279/96 é claro: “A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido.” Não por patente. Não por contrato. Não por uso. Por registro de marca no INPI.
Como Proteger Sua Marca: O Processo Correto
Agora que você entendeu a diferença entre marca e patente, vamos ao que realmente importa para a maioria dos empreendedores: como proteger sua marca da forma correta.
Por que você precisa registrar se já usa a marca há anos?
Porque no Brasil, o direito sobre a marca nasce do registro — não do uso.
A Lei 9.279/96, no artigo 129, estabelece claramente: “A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as disposições desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional.”
Traduzindo: você pode usar um nome há 10 anos, ter clientes fiéis, ser reconhecido no mercado. Se outra pessoa registrar esse nome antes de você, ela terá o direito legal. Você terá um problema.
Caso real que acontece toda semana: Empresário usa uma marca por anos. Nunca registrou porque “nunca precisou”. Um dia descobre que um concorrente registrou nome idêntico ou parecido. Agora ele tem duas opções: mudar tudo (nome, logo, material, site, redes sociais) ou entrar numa disputa judicial longa e cara. Nenhuma das duas é boa.
A advogada Paola Stocco resume bem: . “Só é dono quem registra” Parece duro, mas é a realidade jurídica brasileira.
O que o registro de marca garante
➞ Exclusividade nacional — Ninguém pode usar marca igual ou semelhante no seu segmento em todo o Brasil ➞ Direito de ação — Você pode processar quem usar sua marca sem autorização
➞ Valor patrimonial — Marca registrada pode ser vendida, licenciada, franqueada
➞ Proteção contra oportunistas — Impede que terceiros registrem “sua” marca antes de você
Segundo dados do INPI, centenas de empresas perdem suas marcas todos os anos porque não registraram a tempo. O concorrente foi mais rápido. O oportunista viu a brecha. E o empresário descobriu tarde demais que uso não é propriedade.
Passo a Passo para Registrar Sua Marca no INPI
O INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) é a única autarquia autorizado a conceder registros de marca no Brasil. Todo o processo acontece lá — de forma digital, pelo sistema e-Marcas.
Etapa 1: Busca prévia de anterioridade
Antes de qualquer coisa, você precisa verificar se já existe marca igual ou semelhante registrada no seu segmento.
Posso pular essa etapa e ir direto para o registro?
Pode. Mas é como atravessar a rua sem olhar para os lados. Às vezes dá certo. Às vezes você é atropelado.
A busca prévia identifica conflitos potenciais antes de você gastar dinheiro com taxas. Se existir marca semelhante, você pode repensar o nome ou avaliar o risco antes de depositar.
O artigo 124, inciso XIX da Lei 9.279/96 proíbe o registro de marca que seja “reprodução ou imitação, no todo ou em parte, ainda que com acréscimo, de marca alheia registrada”. “Em parte” significa que trocar uma letra ou adicionar uma palavra pode não ser suficiente para escapar do conflito.
Etapa 2: Definição da classe (NCL)
A Classificação de Nice organiza todos os produtos e serviços em 45 classes. Você precisa escolher em qual classe sua marca será registrada.
➞ Classe 25: Roupas, calçados
➞ Classe 35: Publicidade, gestão de negócios, comércio
➞ Classe 43: Restaurantes, alimentação
➞ Classe 42: Desenvolvimento de software
Escolher a classe errada significa proteção no lugar errado. Sua marca fica “registrada” mas não protege seu negócio real.
Etapa 3: Depósito do pedido
Com a busca feita e a classe definida, você acessa o sistema e-Marcas, preenche o formulário, anexa documentos e paga a taxa de depósito. A partir desse momento, seu pedido entra na fila de análise do INPI.
Etapa 4: Publicação e prazo de oposição
Cerca de 3 a 4 semanas após o depósito, seu pedido é publicado na Revista da Propriedade Industrial (RPI). Terceiros têm 60 dias para apresentar oposição se acharem que sua marca conflita com a deles.
Etapa 5: Exame técnico
O examinador do INPI analisa se sua marca atende todos os requisitos legais. Pode haver exigências (pedidos de esclarecimento ou correção) que você precisa responder no prazo.
Etapa 6: Decisão e concessão
Se tudo estiver correto, o INPI defere o pedido. O registro é concedido automaticamente (desde 24 de junho de 2025, com a nova tabela). Você recebe o certificado de registro. Sua marca está oficialmente protegida.
Tempo total: De 12 a 18 meses em média, segundo relatório do próprio INPI. Pode ser mais se houver oposição ou exigências.
Os Três Tipos de Marca: Nominativa, Figurativa e Mista
Aqui entra outro ponto que confunde muita gente. Não existe só “registro de marca”. Existem tipos diferentes de marca, e cada um protege elementos específicos.
Marca Nominativa
Protege apenas o nome — a palavra escrita, independente de fonte, cor ou design.
➞ Exemplo: A palavra “NIKE” está protegida. Não importa se está em letra maiúscula, minúscula, colorida ou preta. O nome em si é exclusivo.
➞ Quando usar: Quando seu nome tem força própria e você quer proteção independente do visual.
Marca Figurativa
Protege apenas o elemento visual — símbolo, desenho, logo sem texto.
➞ Exemplo: O “swoosh” da Nike (aquele símbolo curvo) está registrado como marca figurativa. Mesmo sem a palavra Nike, você reconhece.
➞ Quando usar: Quando seu símbolo é reconhecido sozinho, sem precisar do nome junto.
Marca Mista
Protege a combinação de nome + elemento visual juntos.
➞ Exemplo: O logo da Nike com o nome “NIKE” e o swoosh juntos. É aquela composição específica que está protegida.
➞ Quando usar: Quando você quer proteger seu logo completo, do jeito que aparece no seu material.
Se eu registrar a mista, estou protegendo tudo?
Esse é o erro mais comum. Não, você não está.
A marca mista protege aquela combinação específica. Se alguém copiar só o nome com outro visual, sua proteção pode não alcançar. Se alguém copiar só o símbolo, mesma coisa.
Como explica Paola Stocco: “A pessoa acha que ela faz mista, ela tá protegendo a nominativa, aí não tá… você tem que fazer cada registro separado.”
Estratégia de proteção completa
Para blindagem total, o ideal é registrar:
· Nominativa — Protege o nome em qualquer formato
· Mista — Protege a combinação nome + logo que você usa
São dois processos separados, duas taxas, mas garantem cobertura completa. Um advogado especialista pode avaliar seu caso e indicar se você precisa dos dois ou se um é suficiente.
Erros Comuns: Consequências Reais
Aqui vamos mostrar o que acontece quando as coisas dão errado — não para assustar, mas para você entender o tamanho do problema e evitar antes que aconteça.
Confundir marca e patente: o erro mais básico
O erro mais básico — e mais caro — é iniciar o processo errado. Você quer proteger o nome da sua empresa e entra no sistema do INPI procurando “patente”. O que acontece?
Posso mesmo abrir um pedido de patente para proteger minha marca?
Tecnicamente, o sistema permite você protocolar. Mas o pedido será indeferido. Patente exige invenção com novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. Nome de empresa não é invenção. Logo não é invenção. Slogan não é invenção.
O artigo 8 da Lei 9.279/96 é específico: “É patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial.” Um nome comercial não atende nenhum desses requisitos.
O que acontece na prática:
· Você paga a taxa de depósito de patente (muito mais cara que marca)
· Espera anos pela análise (patente leva de 4 a 10 anos no Brasil)
· Recebe indeferimento porque não é matéria patenteável
· Perde todo o dinheiro e tempo investidos
· Sua marca continua desprotegida durante todo esse período
· Enquanto isso, outra pessoa pode ter registrado nome igual ou parecido
Segundo dados do INPI, patentes de invenção levam média de 3 a 4 anos em análise (para 2025, a meta é reduzir para 3,9 anos). Imagine descobrir depois de 4 anos que você estava no processo errado desde o início.
Outros erros comuns relacionados
➞ Achar que CNPJ protege a marca — Registrar empresa na Junta Comercial protege o nome empresarial apenas no estado. Não impede ninguém de registrar marca igual no INPI com proteção nacional.
➞ Achar que domínio de internet protege a marca — Ter o site “suaempresa.com.br” não te dá direito sobre a marca “Sua Empresa”. São registros diferentes, em órgãos diferentes.
➞ Achar que uso prolongado substitui registro — Usar uma marca por 20 anos não te torna dono. Você pode ter direito de precedência em disputas específicas, mas isso exige processo judicial. O registro no INPI é a forma segura e direta.
Custos e Prazos Atualizados para 2026
Você já entendeu que precisa de registro de marca. Agora vem a pergunta prática: quanto vai custar e quanto tempo vai levar?
Quanto custa registrar uma marca em 2026?
O custo de registrar uma marca envolve taxas obrigatórias do INPI. Esses valores foram significativamente atualizados em 2025. A grande mudança: agora é cobrada uma taxa única no depósito que inclui o primeiro decênio e o certificado.
Quais são as taxas atualizadas do INPI para 2026?
A partir de 20 de setembro de 2025, o INPI implementou nova tabela com sistema de taxa única. O INPI trabalha com dois grupos de preço:
Grupo 1 — Valor reduzido (50% de desconto): Pessoa física, MEI, microempresa (ME) e empresa de pequeno porte (EPP)
Grupo 2 — Valor integral: Pessoa jurídica com faturamento acima dos limites de ME/EPP
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Item |
Especificações Pré-aprovadas |
Livre Preenchimento |
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Depósito (inclui concessão + 1º decênio + certificado) A CONCESSÃO NÃO ESTÁ INCLUSA, PRECISA DE ANÁLISE DO inpi, MELHOR TIRAR PARA EVITAR DÚVIDAS |
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PF/MEI/ME/EPP (VALOR COM DESCONTO) |
R$ 180 r$ 440,00 |
R$ 860 |
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Pessoa Jurídica DEMAIS EMPRESAS SEM DESCONTOS |
R$ 360 R$ 880,00 |
R$ 1.720 |
Importante: Esses valores são por marca e por classe. Se você precisa registrar em duas classes, multiplica por dois. Se precisa de marca nominativa E mista, são dois registros separados.
O que esses valores NÃO incluem:
➞ Busca prévia profissional
➞ Análise técnica de registrabilidade
➞ Acompanhamento do processo durante 12-18 meses
➞ Defesa em caso de oposição ➞ Resposta a exigências do INPI
As taxas do INPI são apenas a parte mais visível do investimento. O trabalho técnico que garante um registro bem-sucedido tem seu próprio valor — e tentar economizar nessa parte é onde a maioria dos problemas começa.
Segundo dados do setor, pedidos feitos sem análise técnica prévia têm índice de problemas significativamente maior: classe errada, conflitos não identificados, exigências respondidas de forma inadequada. Cada erro desses pode significar recomeçar do zero.
Quanto tempo leva para registrar uma marca?
O tempo é outro fator que pega muita gente de surpresa. Registro de marca não é como abrir CNPJ, que sai em poucos dias.
Quanto tempo demora para registrar uma marca no INPI?
Segundo o Plano de Ação 2025 do INPI e relatórios recentes:
Sem oposição: 21 meses (meta para 2025) Com oposição: 33 meses (meta para 2025)
Esses são prazos estimados. Tudo pode variar de acordo com a demanda e complexidade do processo.
Linha do tempo típica:
· Depósito até publicação: 3-4 semanas
· Prazo de oposição de terceiros: 60 dias
· Exame técnico: 8-14 meses
· Pagamento e emissão do certificado: Automático (após 24 de junho de 2025)
Se houver oposição, adicione 6 a 12 meses para análise da defesa. Se houver exigência mal respondida, mais alguns meses. Se precisar de recurso, pode passar de 24 meses facilmente.
Comparação importante: Lembra que patente leva de 4 a 10 anos? Marca é muito mais rápido. Mais um motivo para não confundir os dois processos.
Durante esses meses, o que acontece?
➞ Seu pedido está “em análise” — você ainda não tem o registro definitivo
➞ Você pode usar a expressão “marca depositada” ou o símbolo ™
➞ Você NÃO pode usar o símbolo ® (só após concessão — usar antes é crime, conforme artigo 191 da Lei 9.279/96) ➞ Você precisa monitorar a RPI semanalmente para identificar oposições ou exigências ➞ Prazos perdidos significam processo arquivado
A Lei 9.279/96, no artigo 157, estabelece o fluxo processual: publicação, prazo de oposição, exame, decisão. Cada etapa tem prazo legal. O INPI não espera você perceber que algo aconteceu — publica na RPI e o relógio começa a correr.
Preciso acompanhar a RPI toda semana durante 18 meses?
Alguém precisa. A RPI é uma publicação semanal com milhares de páginas. Encontrar movimentações do seu processo específico exige monitoramento sistemático. Perder um prazo de oposição ou exigência pode significar perder a marca.
Quando Patente Realmente Faz Sentido
Até agora focamos em marca porque é o que a maioria dos empreendedores precisa. Mas e quando patente realmente se aplica? Vamos esclarecer para você saber identificar se tem algo no seu negócio que merece esse tipo de proteção.
Como saber se sua criação pode ser patenteada?
A Lei 9.279/96, nos artigos 8 e 9, estabelece três requisitos obrigatórios:
1. Novidade — Sua invenção não pode existir em nenhum lugar do mundo. Se alguém já publicou, vendeu ou apresentou algo igual, não é novo.
2. Atividade inventiva — Não basta ser novo — precisa ser não-óbvio. Um técnico especializado na área não chegaria naturalmente àquela solução.
3. Aplicação industrial — A invenção precisa poder ser fabricada ou utilizada em algum tipo de indústria. Não pode ser puramente teórica.
Se sua criação atende os três requisitos, pode ser patenteável. Se falta qualquer um, não passa.
O que NÃO pode ser patenteado (artigo 10 da Lei 9.279/96):
➞ Descobertas científicas (você descobriu, não inventou)
➞ Teorias e métodos matemáticos
➞ Métodos comerciais ou de negócio
➞ Obras artísticas ou literárias (protegidas por direito autoral)
➞ Programas de computador em si (protegidos por direito autoral)
➞ Regras de jogos
Percebe o padrão? Nome de empresa, logo, identidade visual — nada disso é patenteável. Nunca foi, nunca será.
Exemplos de invenções que podem ser patenteadas
Para ficar mais concreto, veja exemplos reais de coisas que podem ser patenteadas:
Patente de Invenção (PI):
➞ Novo mecanismo de motor que consome menos combustível
➞ Molécula farmacêutica inédita para tratamento de doença
➞ Processo químico que produz material mais resistente
➞ Dispositivo médico com funcionamento inovador
Modelo de Utilidade (MU): ➞ Ferramenta com cabo redesenhado para melhor ergonomia ➞ Embalagem com sistema de abertura aprimorado ➞ Móvel com mecanismo de montagem simplificado
Tenho um produto físico. Isso significa que preciso de patente?
Não necessariamente. Ter produto físico não significa ter invenção.
Se você vende camisetas com estampas criativas — não é patente, é marca (e talvez direito autoral sobre as estampas). Se você fabrica móveis com design diferenciado — pode ser desenho industrial, não patente. Se você criou um método novo de ensinar inglês — não é patenteável.
Patente é para quando você inventou algo tecnicamente novo. A maioria dos negócios não tem isso — e não precisa ter.
Orientação Especializada: Por Que Importa
Você já sabe a diferença entre marca e patente. Já entendeu o processo, os custos, os prazos. Agora a pergunta é: como garantir que tudo isso seja feito certo?
A importância de orientação profissional em PI
Propriedade intelectual é área técnica. Não porque seja inacessível, mas porque detalhes fazem diferença entre proteção real e falsa sensação de segurança.
Não posso fazer o registro sozinho pelo site do INPI?
Tecnicamente, pode. O sistema é aberto. Qualquer pessoa consegue depositar um pedido de marca.
O problema não é depositar. É depositar certo.
Escolher a classe adequada exige conhecimento da Classificação de Nice e suas nuances. Fazer busca prévia eficiente vai além de digitar o nome no site. Responder exigências do INPI requer entendimento técnico. Defender-se de oposições demanda fundamentação jurídica.
Segundo dados do setor, pedidos feitos sem orientação técnica têm índice de problemas significativamente maior. Classe errada, conflitos não identificados, prazos perdidos, defesas mal fundamentadas. Cada erro significa recomeçar — com novo custo e novo prazo de 12-18 meses.
A conta que poucos fazem:
Um pedido indeferido não custa só a taxa perdida. Custa o tempo de espera jogado fora. Custa a marca vulnerável durante esse período. Custa o concorrente que pode ter registrado enquanto você esperava.
O investimento em orientação especializada se paga no primeiro erro evitado. Uma única busca prévia bem feita que identifica conflito antes do depósito. Uma única exigência respondida corretamente. Uma única oposição defendida com fundamento técnico.
O artigo 129 da Lei 9.279/96 garante o direito a quem registra. Mas garantir que o registro seja feito da forma correta — isso exige conhecimento que vai além de tutoriais na internet.
Conclusão: O Que Você Deve Fazer Agora
Você chegou ao final deste guia sabendo mais sobre proteção de marca do que a maioria dos empresários brasileiros.
Sabe que marca não se patenteia — se registra. Sabe a diferença entre proteger identidade (marca) e proteger invenção (patente). Sabe que cada dia sem registro é um dia de vulnerabilidade.
Como diz a advogada Paola Stocco: “Sem registro você é vulnerável no mercado.”
A pergunta agora é simples: você vai continuar vulnerável ou vai proteger o patrimônio que construiu?
Se você está com dúvidas sobre como proteger sua marca ou se alguém está usando seu nome ou logo indevidamente, a advogada Paola Stocco pode te orientar sobre a melhor estratégia.
Com mais de 5 anos de experiência exclusiva em Propriedade Intelectual, gestão de mais de 1.000 empresas atendidas e membro da Comissão de PI da OAB/PR, Paola oferece análise técnica e segurança jurídica para seu registro.
➞ Entre em contato para agendar uma consulta e proteja o ativo mais valioso do seu negócio.
Porque marca forte só é marca registrada. E perder sua marca por falta de proteção pode custar o patrimônio que você levou anos construindo.
- Pedro Rafael Thomé Pachecohttps://martinspacheco.adv.br/author/pedro/23 de outubro de 2025
- Pedro Rafael Thomé Pachecohttps://martinspacheco.adv.br/author/pedro/22 de fevereiro de 2024
- Pedro Rafael Thomé Pachecohttps://martinspacheco.adv.br/author/pedro/22 de fevereiro de 2024
- Pedro Rafael Thomé Pachecohttps://martinspacheco.adv.br/author/pedro/22 de fevereiro de 2024

